OuBaPo

O OuBaPo, obras de histórias em quadrinhos sob restrições (contraintes), foi fundado em 1992 através da editora francesa L’Association, que reunia autores mais preocupados com o quadrinho como arte, diferente dos álbuns que já eram, na França, o mainstream, best sellers (capa dura, histórias de heróis e fantasia).

Produziram quatro livros (Oupus) entre 1997 e 2005,

Muitos desses autores ainda produzem obras com base Oubapiana e a editora atualmente é uma das que mais publica na França no chamado ramo alternativo. Marjane Satrapi, de Persépolis e David B., de Epiléptico, são dois dos autores mais conhecidos que já participaram do Oubapo e publicaram pela L’Association.

As “contraintes”

Há dois  tipos: geradoras e transformadoras.

As técnicas utilizadas pelos oubapianos são de inspiração oulipiana, mas muitas delas já são exercícios comuns e conhecidos, não uma invenção deles. Eles propuseram outros e convidaram os autores a criar a partir de técnicas restritivas, e somente a partir delas. Escolha a sua e crie.

    Gerativas

  • Ambigrama: os sentidos da leitura podem ser vários – de cima para baixo (upside-down). A ambiguidade das direções é a chave do jogo, leitura plural

  • Iteração: reiterar, repetir algum elemento de um quadro. Reiteração icônica, por exemplo, é uma história que não muda de imagem, apenas de diálogos.

(Um exemplo clássico é Le Dormeur, de Lewis Trondheim. Um bem brasileiro são as florzinhas do André Dhamer)

  • Palíndromo: como o ambigrama, há aqui a pluri-leitura, dessa vez em dois sentidos, do começo ao fim, e do fim ao começo, duas histórias em uma.

  • Dobradura: O quadrinho pode virar um origami, cada página dobrada revela uma nova leitura possível.

  • Pluri-leitura: todos os sentidos tem histórias legíveis.

  • Restrição: um elemento característico da história em quadrinhos: personagem, balão, cores, quadros… ou partes destes, como partes do corpo de um personagem.

  • Reversabiliade/ Upside-Down: Gustave Verbeck, em 1903, escreveu/desenhou The Upside-Downs Little Lady Lovekins and Old Man Muffaroo, em que há uma primeira leitura e outro texto quando a página é virada a 180°, quer dizer, cada página tem leitura nos dois sentidos.

Transformadoras

  • Expansão: toma-se uma história ou duas já criada, insere-se novos quadros e voilà, uma história novinha em folha.
  • Hibridação: toma-se várias histórias, selecione quadros delas e crie sua própria história com eles.

  • Redução: nessa restrição, quadros de uma história conhecida são suprimidas, resumindo a história ou criando uma nova com os quadros remanescente

  • Reinterpretação gráfica: uma das técnicas mais utilizadas, quando se toma personagens existentes de outros autores e se usa o mesmo estilo para criar uma nova história.

  • S+7 ou N+7: no texto, cada substantivo (ou nome) será substituído pela sétima palavra que o segue no dicionário. Criado pelo oulipien Jean Lescure, foi adaptado inclusive para a parte gráfica. Killoffer foi um dos autores que substituiu imagens de quadrinhos seus pelo desenho da sétima palavra que seguia em seu dicionário.

  • Substituição: dois autores podem ser encarregados de fazer, cada um, páginas de um mesmo roteiro, ou dois roteiros diferentes. Depois, troca-se um texto pelo outro, um desenho pelo outro.

Ver outros exemplos aqui:

2009-09 (set)
quadrinhos

A partir do dia 21 de outubro e durante o evento, haverá exposição de QUADRINHOS OUBAPIANOS no Hall da Academia Brasileira de Letras

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